AERP | Olimpíadas Mundiais de Robótica
O Agrupamento de Escolas Raul Proença, das Caldas da Rainha, voltou a colocar Portugal em destaque no panorama internacional da robótica educativa ao participar, pelo segundo ano consecutivo, nas Olimpíadas Mundiais de Robótica (World Robot Olympiad – WRO 2025). Esta competição, considerada uma das maiores e mais prestigiadas do mundo na área da robótica para jovens, decorreu em Singapura entre 26 e 28 de novembro, numa viagem que se estendeu de 22 de novembro a 1 de dezembro. No total, o evento reuniu cerca de 600 equipas provenientes de aproximadamente 90 países, transformando a cidade-estado num autêntico palco global de inovação, tecnologia e espírito competitivo. Nesta edição, o Clube de Programação e Robótica do Agrupamento de Escolas Raul Proença marcou presença com duas equipas inscritas nas categorias RoboMission Júnior e RoboSports, reforçando a continuidade do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos e consolidando a posição do agrupamento como uma das referências nacionais no domínio da robótica educativa. A participação na WRO exige preparação intensiva, capacidade de adaptação e um domínio técnico significativo, uma vez que os desafios propostos combinam programação, engenharia mecânica, eletrónica, estratégia e trabalho em equipa. Na categoria RoboMission Júnior, os alunos tiveram de construir e programar um robô autónomo capaz de executar missões específicas dentro de tempos rigorosamente definidos. Estas missões incluíam ultrapassar obstáculos, transportar objetos para locais determinados e reagir a diferentes elementos distribuídos no campo de prova. Como já é habitual na WRO, o nível de dificuldade aumenta progressivamente durante a competição: para além das missões previamente conhecidas, os participantes enfrentaram um desafio adicional no segundo dia e doze desafios surpresa no último dia, exigindo raciocínio rápido, criatividade e uma grande capacidade de adaptação a mudanças inesperadas. Apesar da elevada complexidade do desafio, a equipa demonstrou um desempenho sólido, conquistando 201 pontos e alcançando o 77.º lugar entre 114 equipas, obtendo também a medalha de bronze atribuída às equipas cujo resultado supera a média global. Já na categoria RoboSports, a participação do agrupamento marcou a estreia internacional da equipa nesta vertente altamente competitiva da WRO. O desafio deste ano, denominado “Double Tennis”, coloca duas equipas frente a frente, cada uma com dois robôs autónomos a tentar empurrar bolas para o campo adversário. Os robôs, construídos com tecnologia LEGO ou Arduino e equipados com câmaras e sensores, têm de interpretar o ambiente em tempo real, adaptar a estratégia aos movimentos da equipa adversária e coordenar-se entre si com rapidez e precisão. É um desafio particularmente exigente, onde a estratégia e o controlo autónomo têm um peso determinante. Durante a fase de grupos, a equipa portuguesa iniciou a competição com três vitórias expressivas por 3-0 frente às equipas da Nigéria, México e Cazaquistão. Seguiram-se dois empates e, posteriormente, a primeira derrota, num jogo muito disputado contra Singapura, país anfitrião e historicamente conhecido pela força das suas equipas. Contra o Japão, uma das potências da modalidade, a equipa obteve um empate e duas derrotas, e terminou a fase de grupos com três derrotas frente às Filipinas. No conjunto dos resultados, a equipa portuguesa alcançou o 25.º lugar entre 56 equipas, um resultado bastante encorajador tendo em conta tratar-se da sua primeira participação internacional nesta categoria, reforçando um potencial muito promissor para futuras edições. O sucesso alcançado em competições desta envergadura é reflexo do trabalho contínuo e estruturado desenvolvido pelo Clube de Programação e Robótica, que atualmente integra cerca de 45 alunos do 7.º ao 12.º ano. Este espaço de aprendizagem prática e colaborativa permite aos estudantes desenvolver competências fundamentais na área das tecnologias, incluindo programação, robótica, eletrónica e princípios de engenharia, ao mesmo tempo que promove competências transversais como pensamento crítico, criatividade, comunicação e trabalho em equipa. Ao longo do ano, os alunos participam em projetos variados, desde a construção de robôs autónomos até à resolução de desafios complexos de programação, sempre com o acompanhamento e orientação dos professores responsáveis. A participação regular em competições nacionais e internacionais contribui para elevar o nível de exigência e para fomentar a motivação e o sentido de responsabilidade dos alunos. Para além da dimensão competitiva, a viagem a Singapura proporcionou ainda uma experiência cultural de grande riqueza. A cidade-estado impressionou os alunos pela modernidade, organização e diversidade cultural, oferecendo uma realidade muito distinta daquela que conhecem no seu quotidiano. Ao longo da estadia, visitaram locais emblemáticos como a zona envolvente da Marina Bay, o Museu de Arte e Ciência, os icónicos Gardens by the Bay com as suas estruturas futuristas, e os Universal Studios, uma experiência particularmente marcante para muitos. Percorreram também os bairros locais de Chinatown e Little India, onde puderam observar de perto a fusão de tradições, culturas e gastronomias que caracterizam Singapura. Este contacto direto com realidades culturais tão diferentes da portuguesa constituiu uma oportunidade única de crescimento pessoal, de abertura ao mundo e de valorização multicultural. Nada disto teria sido possível sem o apoio fundamental dos patrocinadores que acreditaram no projeto e no potencial educativo da robótica. O Agrupamento de Escolas Raul Proença manifesta a sua mais profunda gratidão às seguintes entidades: ANPRI, Município das Caldas da Rainha, Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva, Supercasa, Dunbelt, Mauser, Transwhite Lda., DX Patrol, INESC TEC, Nutea, Bresimar Automação S.A., Da Silva, DNC Técnica Lda., Softpack, Grupo Fábrica, Interact – Caldas da Rainha e Junta de Freguesia do Pópulo, Coto e São Gregório. Sem este apoio indispensável, a participação na WRO 2025 não teria sido possível, nem teriam sido proporcionadas aos alunos experiências tão enriquecedoras, tanto a nível educativo como humano. A comitiva portuguesa contou ainda com a presença do Agrupamento de Escolas de São Gonçalo, de Torres Vedras, participante nas categorias Future Engineers e Future Innovators, reforçando a representação nacional e demonstrando a crescente qualidade e ambição dos estudantes portugueses no domínio da robótica educativa. No conjunto, esta participação nas Olimpíadas Mundiais de Robótica 2025 evidencia o trabalho de excelência desenvolvido no Agrupamento de Escolas Raul Proença e sublinha a importância de continuar a investir no ensino das tecnologias, da programação e da robótica desde cedo. Mais do que classificações ou medalhas, a experiência vivida em Singapura deixa um legado duradouro de aprendizagem, motivação e inspiração para os alunos, abrindo portas a novos desafios e a novas conquistas no futuro da robótica educativa em Portugal.









Créditos: Luís Fernandes




