“Não Sou Tua”: uma audiência que fez pensar
No passado dia 13 de março, o Tribunal das Caldas da Rainha foi palco de uma experiência pedagógica marcante para cerca de 50 alunos das turmas 10.º LH1 e 10.º LH2 do ensino secundário do Agrupamento de Escolas Raul Proença. A atividade, intitulada “Não Sou Tua”, integrou as iniciativas de sensibilização para o Dia de Luto Nacional pelas Vítimas de Violência Doméstica e foi promovida pela Unidade de Desenvolvimento Social do Município, em colaboração com a Associação Portuguesa de Mulheres Juristas.
Ao entrar na sala de audiências, rapidamente se percebia que não se tratava de uma visita comum. O ambiente solene, o silêncio expectante e a disposição dos intervenientes criavam a sensação de se estar perante um julgamento real. E, de certa forma, era mesmo isso que acontecia. Através de um exercício de role play, alguns alunos assumiram o papel de intervenientes diretos num caso de violência no namoro, como agressor, vítima e testemunhas, enquanto os restantes assistiam, atentos, à simulação. À medida que o “julgamento” decorria, iam sendo expostos comportamentos muitas vezes banalizados no quotidiano, mas que, ali, ganhavam uma nova dimensão e gravidade. Mais do que assistir, os alunos foram desafiados a observar criticamente, a identificar sinais de violência e a refletir sobre atitudes que, em muitos casos, passam despercebidas ou são desvalorizadas. Este envolvimento direto revelou-se fundamental para a compreensão da complexidade destas situações.
A iniciativa destacou-se não só pelo seu caráter pedagógico, mas também pelo impacto emocional que provocou. Entre momentos de maior tensão e reflexão, tornou-se evidente a importância de educar para relações saudáveis, baseadas no respeito e na igualdade. Neste contexto, importa destacar e felicitar os alunos que desempenharam os papéis no role play, pelo seu empenho e pelo contributo fundamental para o sucesso da atividade: Jesus Fernandes Vieira Ribeiro, Tomás Dantas, Teresa Teixeira, Carolina Leal, Duarte Oliveira, Sofia Paulo e Mariana Simões. “Não Sou Tua” foi, assim, muito mais do que uma atividade. Foi uma experiência de aprendizagem profunda que deixou marcas e abriu espaço à discussão de um tema que continua a exigir atenção e intervenção por parte de toda a comunidade.



Créditos: Luís Sousa




