Juntamos Muita Gente ao Barulho
“E em Vez do Medo? é um manifesto silencioso que se quer muito alto, um ritual de renascimento. Porque, no fim, não há civilização que sobreviva sem aprender a dançar com suas próprias sombras — e a transformá-las em faróis, ou pelo menos, em lanterninhas de ver na noite.”
Marta Bernardes, curadora da Bienal Cultura Educação #2
Na disciplina de Oficina de Artes no presente ano letivo, e com base no Plano Cultural de Escola bem como em articulação com a Bienal Cultura Educação #2 foi planificada uma unidade de trabalho a explorar com os alunos de 12ºano de Artes Visuais da Escola Raul Proença.
A unidade tinha como objetivo explorar o conceito de viagem e de histórias a partir de objetos artísticos tridimensionais e semelhantes a malas de cartão numa escala natural. Estes objetos que fazem parte de memórias passadas e ainda por vezes presentes nas arrecadações ou sótãos empoeirados, encerram algo que abriu novas perspetivas para atribuir o título com que se desenvolveram os projetos: Malas com histórias ou melhor, “e em vez do medo, malas com histórias!”.
Individualmente cada aluno executou a mala e desenvolveu um conceito para cada história, incluindo objetos, fotos, desenhos e materiais diversos que explicam a ideia e que traduzem também um ambiente e uma linguagem artística pedida nesta abordagem.
As sinopses de cada projeto explicam o fundamento encontrado por cada aluno e o significado imposto a cada mala. A viagem em sentido figurado foi transversal e aprofundou a construção cénica no domínio expositivo dos objetos, apurou o sentido crítico e possibilitou mais conhecimento e consciência do que os cerca.
As histórias contadas em cada mala tornam-se universais uma vez que todos conhecemos aqueles objetos e as relações que com eles podemos estabelecer reconhecendo partes da nossa própria história ou de alguém que conhecemos com uma história semelhante. É destas pequenas teias de relações que se tecem as histórias que nos unem, que nos fazem crer que pertencemos a algum lado, que os outros são iguais a nós, e assim se muda do medo de ser para a dádiva de partilhar.
O sentido maior da obra de arte é esta entrega de um processo construtivo de uma narrativa que se torna publica e partilhável, é este jogo entre o olhar do construtor e a leitura de quem observa. Esta ligação nunca se destrói e vai sendo ampliada ao longo de outras experiências da mesma natureza. Agradecemos por isso aos alunos que se dispuseram a partilhar com todos as suas histórias desta forma generosa que tão bem lhes conhecemos.
Ana Militão Oficina de Artes








Créditos: Dulce Nunes




