6 Mar 2026

Aprender Lisboa ao ar livre

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Por entre as sete colinas e ventos um tanto impertinentes, as turmas LH1 e AVLH do 11.º ano realizaram uma visita de estudo no âmbito das disciplinas de Geografia e História A. Esta saída, realizada no dia 6 de março, procurou dotar os alunos de uma perspetiva abrangente e prática da estrutura citadina da cidade de Lisboa, oferecendo um complemento riquíssimo às teorias lecionadas em aula. Apesar do tempo instável, os ânimos mantiveram-se, começámos na Fundação Calouste Gulbenkian. Esta, devido às condições atmosféricas, fechou as portas dos seus jardins, obrigando-nos a seguir diretamente para o próximo local: o Parque Eduardo VII.

O programa da turma do 11.º AVLH estava centrado no espaço da Fundação. O plano do 11.º LH1 passava por percorrer a cidade partindo da parte mais moderna rumo à zona histórica, já na baixa de Lisboa. Ali foram discutidas informações relativas ao referido espaço, desde a origem do nome do parque, em homenagem ao reforço da aliança luso-britânica, até ao facto de ser uma área verde necessária à cidade, numa disposição limpa, sólida e justificada, planeada por Keil do Amaral, uma das figuras da arquitetura do Estado Novo.

Num percurso cronológico da zona mais atual da capital até à mais antiga, a visita continuou pela Avenida da Liberdade, de notáveis características de CBD (Central Business District), e que proporcionou aos alunos uma série de curiosidades históricos, além de características geográficas, como o antigo edifício do Diário de Notícias, exemplo de requalificação urbana. O fim do percurso pela Avenida da Liberdade culminou na Rua das Portas de Santo Antão, um verdadeiro túnel do tempo que liga a Baixa Pombalina à expansão moderna. Vimos o edifício da Sociedade de Geografia e a singular Igreja de São Domingos que, mesmo com as suas marcas de tragédia, deslumbrou mais uma vez pela beleza melancólica das suas colunas fulminadas em paredes que parecem em carne viva.

A visita continuou pela Praça de D. Pedro IV (vulgarmente conhecida por Rossio), onde, a este ponto, o grupo se encontrava rodeado de história, à medida que cada nome ou característica especial evocava o passado, fosse ele mais próximo ou distante, como nas ruas da Prata e do Ouro, sinais das atividades ali exercida há muito tempo. Com a passagem pela Rua dos Fanqueiros e um percurso facilitado pelo uso do Elevador da Baixa (ou Elevador do Mercado do Chão do Loureiro), os alunos puderam ser impactados pela vista que a encosta do castelo proporciona, assim como, através de mais alguns passos acima, pela história da antiga escola das artes circenses, o Chapitô, que também despertou a curiosidade.

Após uma manhã de longa caminhada, a hora de almoço decorreu no Castelo de São Jorge, que se despediu brevemente para dar a conhecer ao grupo as rústicas e estreitas ruas de Alfama, de alma fadista e autenticidade inegável, proporcionando aos alunos mais um conjunto de informações sobre a vivência das populações, antes e hoje, ambas marcadas principalmente pela difícil acessibilidade. O fim da visita teve lugar no Museu do Fado, concluindo um dia de descobertas e reflexão, constituintes de uma aprendizagem completa, tanto em termos históricos como geográficos. Esta permitiu a compreensão de como os centros urbanos, tão complexos e funcionais, permanecem numa constante metamorfose, tentando adaptar-se às diferentes necessidades de quem os habita, ao mesmo tempo que preservam vestígios do que outrora foram, em contraste com o que são e com o que ainda poderão vir a ser, numa notável articulação entre o presente, o passado e o futuro.

O texto foi redigido pela aluna Maria Júlia Pascoal do 11.º LH1.

Créditos: Luís Sousa